A nicotina é um composto orgânico, e é o principal alcalóide do tabaco (alcalóides são compostos orgânicos nitrogenados provindo de plantas, que tem efeitos fisiológicos nos seres humanos). A nicotina está presente em toda a planta do tabaco, mas principalmente nas folhas, correspondendo a 5% em peso da planta. Tanto o tabaco (Nicotiana tabacum) quanto a nicotina foram denominadas por Jean Nicot, um embaixador de Portugal, que enviou sementes de tabaco para Paris, em 1550.
A nicotina em estado bruto já era conhecida em 1571, e o produto purificado foi obtido em 1828. A fórmula molecular, C10H14N2 , foi estabelecida em 1843, e a primeira síntese em laboratório foi publicada em 1904. A nicotina é um dos poucos alcalóides líquidos, à temperatura ambiente. É um líquido incolor e inodoro, oleoso; quando exposto ao ar ou à luz, adquire uma coloração marrom e um odor característico do tabaco.

A nicotina age de duas maneiras distintas: tem um efeito estimulante e, após algumas tragadas profundas, tem efeito tranqüilizante, bloqueando o stress. Seu uso causa dependência psíquica e física, provocando sensações desconfortáveis na abstinência. Em doses excessivas, é extremamente tóxica: provoca náusea, dor de cabeça, vômitos, convulsão, paralisia e até a morte. A dose letal (LD 50 ) é de apenas 50 mg/kg.

Na indústria, é obtida através das folhas do tabaco, e é utilizada como um inseticida (na agricultura) e vermífugo (na pecuária). Pode ainda ser convertido para o ácido nicotínico e, então, ser usado como suplemento alimentar.

 
Dados estatísticos indicam que há uma clara correlação entre o número de cigarros fumados diariamente e o risco de morte por câncer no pulmão e doenças cardiovasculares. De acordo com a American Cancer Society, "...more people die every year from smoking-related diseases than from AIDS, alcohol, car accidents, , fires, drugs, murders and
suicides combined". Numerosos estudos comprovam que o consumo de tabaco causa diversos males à saúde, mas, mesmo assim, todos os dias milhares de jovens e adolescentes começam seu caminho à dependência química da nicotina. Embora existam muitos centros de apoio à recuperação dos drogados (muitos mesmo na internet), e uma enorme campanha educativa para a prevenção ao vício, o número de fumantes não diminui com o passar dos anos. As pessoas assumem, conscientemente, o risco real de contrair inúmeros males, tal é o efeito de dependência criado pela nicotina.
No exemplar de 22 de setembro/1995 da revista Science, pesquisadores do Columbia-Presbyterian Medical Center publicaram um artigo revelando o mecanismo de ação da nicotina no SNC.

Eles identificaram um novo receptor, chamado de receptor nicotínico, que se liga à nicotina. Este receptor, normalmente, liga-se à acetilcolina, mais prefere a nicotina, na presença desta.

Em baixas concentrações, a nicotina ativa o receptor, que causa a liberação do neurotransmissor glutamato, que é um transmissor excitatório muito importante no SNC.

Mark Heath, um dos autores do trabalho, resume a importância de sua pesquisa: "Cigarette smoking is one of the biggest health problems in the world. This study may help explain the role of nicotine in making cigarettes such a difficult habit to break."

Dois anos mais tarde, dois cientistas do National Institute of Environmental Health Sciences, em Washington D.C., descobriram que estes receptores, no hippocampus, estão associados aos processos de aprendizado e memória.

Os cientistas também elaboraram um mecanismo molecular que pode ajudar a explicar algumas patologias, como algumas formas de epilepsia, doenças de Alzheimer e Parkinson, dependência de nicotina e depressão. Seu trabalho foi publicado, em 1997, no Journal of Physiology.

As ações da nicotina se fazem fundamentalmente através do sistema nervoso autônomo. Ocorre uma resposta bifásica, em geral com estímulo colinérgico inicial, seguido de antagonismo dependendo das doses empregadas. Pequenas doses de nicotina agem nos gânglios do sistema nervoso autônomo, inicialmente como estímulo a neurotransmissão e, subseqüentemente, como depressor. O uso de altas doses de nicotina tem rápido efeito estimulante seguido de efeito depressor duradouro.

Baixos Teores

Nenhum tipo de cigarro é seguro. Os cientistas não encontraram nenhum indício de que os cigarros com baixos teores de alcatrão e nicotina diminuam o risco de doença cardíaca coronariana. Muitos fumantes que mudam para cigarros com baixos teores de alcatrão e nicotina acabam por fumar mais e tragar mais fundo para compensar o menor teor de nicotina. Isso pode causar novos problemas, já que o alcatrão e a nicotina não são as únicas substancias prejudiciais na fumaça do cigarro. Ao tragar mais fundo, os fumantes inspiram outras substancias prejudiciais em quantidades maiores, o que pode aumentar o risco de doença.

Fumaça de segunda mão

Os fumantes não sao os únicos afetados pela fumaça do cigarro. A fumaça do cigarro no meio ambiente (FCM), também chamada de fumo passivo ou fumo de segunda-mão, é um perigo sério para o não fumante, principalmente para as crianças. A FCM contém mais de 4.000 substancias químicas e, pelo menos, 40 substancias conhecidamente cancerígenas.

Os estudos mostram que o risco de morte por doença cardíaca é aproximadamente 30% maior em pessoas expostas à fumaça do cigarro no meio ambiente e em casa. Os filhos de fumantes apresentam muito mais casos de infecção do que crianças de não-fumantes. Mulheres não-fumantes expostas à fumaça de cigarro também têm mais chances de dar a luz à bebês de baixo peso.

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A fumaça do cigarro contém várias substâncias carcinogênicas, como o mitroso nornicotina, monóxido de carbono, acroleína, benzeno, tolueno, cresol, fenol, cloreto de vinila, benzoantraceno, benzopireno, etc. Essas substâncias foram detectadas no tabaco através de análises químicas conduzidas pelos pesquisadores Hoffmann e Brunnemann, em 1976/77.

Algumas companhias tabagistas já foram acusadas de adicionarem amônia aos cigarros, numa tentativa de aumentar a liberação de nicotina. Este processo é conhecido como "free-basing", que é semelhante ao processo utilizado para aumentar os efeitos da cocaína. Com a adição de amônia, toda a nicotina fica na forma básica, que é mais volátil que a forma ácida (protonada). James F. Pankow e colaboradores publicaram um estudo sobre o efeito da adição de amônia aos cigarros, "Nicotine Availability in Tobacco Smoke Enhanced by Ammonia," no American Chemical Society News Service, em julho de 1997.

(Bibliografia: Química-web, revista eletrônica da UFSC)

  Parando de Fumar

Diversos produtos já existem no mercado para auxiliar os fumantes que desejam abandonar o vício. As opções não são muito baratas mas, se você fuma um maço de cigarro por dia, já está gastando cerca R$50,00 ao mês...

Goma de mascar com nicotina - custa cerca de R$200,00 ao mês, assumindo que você use 9 pastilhas/dia. Libera pequenas doses de nicotina, aliviando a abstinência. Mais informações no site http://www.niquitin.com.br/faq.asp.

Skin Paches - pequenos adesivos que são colados à pele; custa cerca de R$180,00 ao mês. Libera mais nicotina do que a goma de mascar. Mais informações no site http://www.niquitin.com.br/faq.asp.

Spray nasal - libera menos nicotina do que o spray ou os patches, mas chega ao sistema circulatório mais rapidamente. Custa cerca de R$200,00 ao mês.

Sistema Amazon anti-tabaco - spray aplicado na boca que faz passar a vontade de fumar. Totalmente natural. Mais informações no site http://www.polishop.com.br/is-bin/INTERSHOP...

Inalante - tem a mesma forma do cigarro, imita o gesto mão-para-boca do fumante, com 1/3 da nicotina de um cigarro. Custa cerca de R$300,00 ao mês.

Zyban - um método sem nicotina: uma droga antidepressiva, que auxilia nas crises de abstinência. Custa cerca de R$175,00 ao mês. Mais informações no site http://www.centralx.com.br/epf/bulas/cf25.htm.

 
Alguns dos males causados pelo cigarro:
Angina pectoris
Aterosclerose
Acidente vascular cerebral
Amidalite
Aborto
Aneurisma da aorta
Aneurisma abdominal
Bronquite
Bronquite Crônica
Câncer do Pulmão
Câncer da boca
Câncer da faringe
Câncer do esôfago
Câncer do estômago
Câncer do pâncreas
Câncer da bexiga
Câncer do rim
Câncer de mama
Câncer do colo do útero
Câncer de pleura
Câncer da próstata
Câncer do intestino
Câncer do reto
Doença de Crohn
Catarata
Descolocamento precoce da placenta
Infarto do miocárdio
Tromboangeite obliterane
Pneumonia por Legionella pneumophila
Hipertensão
Enfisema Pulmonar
Pneumonia por Branhamella catarrhalis
Gripe
Pneumonia a colesterol
Derrame suboracnóide na mulher
Tuberculose
Leucemia mileóide
Úlcera do estômago
Úlcera do duodeno
Osteoporose
Osteortrite
Estomatite
Pneumonia
Otite
Sinusite
Morte súbita infantil
Sindactilia
Estrabismo
Lábio leporino
Prenhes tubária
Placenta prévia
Diabete
Linfoma
Menopausa precoce
Periodontite
E muitos outros problemas...


"Se você fuma, abandone este vício que mata milhões de pessoas ao ano ou então, junte se a elas..." Manuel Schutze

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