Causador:
HIV (vírus)

(esquema do HIV)
Introdução
0 primeiro caso de AIDS foi notificado nos Estados Unidos em Maio de 1981.
No Brasil, em 1984 já haviam sido notificados inclusive casos entre
crianças. De lá para cá, aprendeu-se muito sobre
essa doença; percebeu-se que muito existe para ser conhecido e
muitos conceitos foram modificados. A experiência tem mostrado que
enquanto a doença for tratada como problema de homossexuais, de
drogados e outros marginalizados, não avançaremos muito
em seu controle. No início, a AIDS estava intimamente associada
a homossexuais masculinos e usuários de drogas injetáveis.
Embora ainda sejam pessoas freqüentemente atingidas, hoje têm
se percebido um número cada vez maior da doença entre os
heterossexuais e não usuários de drogas. 0 conceito de "grupo
de risco" foi abandonado sendo substituído por "comportamento
de risco". Infelizmente ainda não se percebeu claramente que
todos nós podemos ter comportamento de risco, quando relacionamos
sexualmente sem preservativos ou quando temos muitos parceiro(as). As
campanhas continuam esclarecendo timidamente a população
sobre as formas de transmissão da AIDS, com mensagens pouco claras
para não melindrar falsos puritanismos, enquanto a incidência
continua aumentando vertiginosamente. No inicio da epidemia, a relação
entre homens e mulheres infectados, no Brasil, era de 20 ou 30 para 1.
Hoje essa relação está bem menor, sendo que 60% das
mulheres infectadas estão em idade fértil, entre 20 e 40
anos. Sabendo-se que existe transmissão mãe-filho
(trasmissão vertical) na gestação, no parto
e na amamentação pode-se imaginar o que isso representará
na incidência da infecção entre crianças dentro
de alguns anos.
Origem
Embora não se saiba ao certo qual a origem do HIV-1 e 2 , sabe-se
que uma grande família de retrovírus relacionados a eles
está presente em primatas não-humanos, na África
sub-Sahariana. Todos os membros desta família de retrovírus
possuem estrutura genômica semelhante, apresentando homologia em
torno de 50%. Além disso, todos têm a capacidade de infectar
linfócitos através do receptor CD4. Aparentemente, o HIV-1
e o HIV-2 passaram a infectar o homem há poucas décadas;
alguns trabalhos científicos recentes sugerem que isso tenha ocorrido
entre os anos 40 e 50. Numerosos retrovírus de primatas não-humanos
encontrados na África têm apresentado grande similaridade
com o HIV-1 e com o HIV-2. 0 vírus da imunodeficiência símia
(SIV), que infecta uma subespécie de chimpanzés africanos,
é 98% similar ao HIV-1, sugerindo que ambos evoluíram de
uma origem comum. Por esses fatos, supõe-se que o HIV tenha origem
africana. Ademais, diversos estudos sorológicos realizados na África,
utilizando amostras de soro armazenadas desde as décadas de 50
e 60, reforçam essa hipótese.
HIV e sua
incubação
0 HIV ( Human Immunodeficiency
Vírus), causador da AIDS, é um retrovírus,
cujo material genético é constituído por RNA.
Os retrovírus são conhecidos por possuir uma DNA-polimerase
dependente do RNA, a transcriptase reversa. A infecção
inicia-se com a adesão do HIV a receptores específicos localizados
na membrana de linfócitos T (CD4). Outras células também
podem ser invadidas, como os macrófagos e os monócitos.
Uma importante característica do HIV é a freqüência
de mutações em seu patrimônio genético, que
determinam o aparecimento de tipos ligeiramente diferentes. Essa característica
é um dos fatores que mais têm dificultado a obtenção
de vacinas eficazes. Os linfócitos T (CD4) coordenam a resposta
imunológica contra as infecções por meio da produção
deinterleucinas.
Com o declínio na população dessas células,
a defesa orgânica fica prejudicada, tornando o paciente susceptível
a agentes infecciosos de baixa patogenicidade. Na fase inicial da doença,
ocorre uma ativação difusa dos linfócitos B, que
pode causar aumento na quantidade de anticorpos circulantes. Esse aumento
não significa maior proteção contra doenças
infecciosas, pois a produção elevada de anticorpos é
inespecífica e não responde a nenhum determinado tipo de
antígeno. 0 período de incubação do HIV, entre
a infecção e o início das manifestações,
é de cinco anos em média. Oscila entre alguns meses até
mais de duas décadas. Varia de acordo com a forma de transmissão
e com a existência de outros fatores concomitantes, como o estado
nutricional. Geralmente, são as crianças infectadas intra-útero
que apresentam as formas de evolução mais fulminante.

Transmissão
O
HIV foi encontrado em diversas substâncias líquidas produzidas
pelo corpo humano. Alguns exemplos são o sangue, a saliva, as lágrimas
e o leite produzido pela mulher que amamenta um filho. Incluem-se nessas
casos também o esperma e as secreções da vagina.
Considerando que o vírus pode estar presente em vários fluídos
corporais listramos abaixo as formas possíveis de transmissão
do vírus.
•
Relações sexuais - Homossexuais, heterossexuais e bissexuais
• Usuários de drogas injetáveis (utilização
de seringas)
• Transfusões sangüíneas
• Transplantes de órgãos
• Transmissão vertical ( mãe- filho )
• Instrumentos cortantes( agulhas, lâminas de barbear, utensílios
de manicures, pedicures, acupunturitas e tatuadores
• Transmissão ocupacional ( Profissionais da área
de saúde)
Existe associação entre a AIDS e outras doenças sexualmente
transmissíveis, como gonorréia e a sífilis. As lesões
que elas causam diminuem a proteção das mucosas dos órgãos
genitais contra a penetração do HIV.
Manifestações
Freqüentes
•
Febre persistente
• Diarréia
• Emagrecimento
• Manchas na pele
• Infecções oportunistas
• Aumento de gânglios linfáticos
• Sarcoma de kaposi
• Pneumonia
• Alterações cardíacas
• Infecções bacterianas
• Retardo no desenvolvimento( em crianças)
• Diminuição na quantidade de linfócitos circulantes
• Aumento na quantidade de anticorpos circulantes
Testes
Na AIDS, o diagnóstico
é geralmente feito pelo método indireto. Isto é,
pesquisa-se no sangue dos pacientes a presença de anticorpos contra
o vírus. Os testes podem variar, mas os mais utilizados no mundo
inteiro são o ELISA ( Ensaio de imunoadsorção
ligada à enzima), utilizado em triagens de doadores de sangue e
em pessoas suspeitas de estarem infectadas; e o WESTERN BLOT
considerado um teste confirmatório, a ser realizado posteriormente
ao Elisa, que apresenta uma margem de erro de 30 %. Em alguns casos o
aparecimento dos anticorpos pode ser retardado em vários meses,
em relação ao início da infecção, há
um período em que a pessoa, embora portadora do vírus, tem
resultados negativos nos teses de sangue habituais. Esse período
é conhecido como "Janela imunológica" e é
uma importantes limitação das medidas de controle da epidemia.
Outro exame que tem sido muito usado é o PCR (Reação
em cadeia da polimerase) que é um exame que pode detectar a presença
de fragmentos do material genético do vírus.

Atuação
do vírus na célula
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Quando
o HIV invade uma célula (1), a enzima transcriptase reversa,
existente no interior do vírus, irá determinar a produção
de DNA tendo a cadeia de nucleotídeos de RNA
viral como molde (2). Surge, então, um ácido nucléico
híbrido, contendo um filamento de RNA e um de DNA. Em seguida,
a cadeia de DNA servirá de molde para a formação
da cadeia complementar ( 3). Esse DNA se incorpora ao material genético
da célula parasitada (4), desencadeando a formação
de partículas virais (5). Pode ocorrer destruição
da célula parasitada pelo vírus.
Observe que acontece
uma transcrição inversa, na qual a seqüência
de bases do DNA formado é complementar à do RNA que serviu
de molde.
Trasncrição:
DNA ------------------------> RNA
Trasncrição
reversa:
RNA ------------------------> DNA
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Tratamento
específico
Contra o vírus, existem dois tipos de produtos farmacêuticos:
as drogas virucidas, que os destroem, e as virustáticas, que impedem
sua multiplicação no organismo. Até agora, os medicamentos
testados contra o HIV são virustáticas. Usados para deter
ou retardar a evolução da doença, aumentam o tempo
de sobrevivência e melhoram a qualidade de vida dos pacientes. Entre
os remédios, um se destaca pelos resultados obtidos e por ter sido
mais experimentado em todo o mundo: a azidotimidina.
Mais conhecido como AZT, essa droga dificulta o avanço dos vírus
sobre os linfócitos. 0 lado ruim está nos efeitos colaterais,
como náuseas, insônia, dores musculares e anemia . Do mesmo
grupo do AZT e com ação semelhante, há também
o DDC (Dideoxicitidina) e o DDI (Dideoxiinosina). Eles podem ser empregados
em substituição ao AZT, ou ainda administrados de forma
alternada ou associada ao AZT. O DDI apresenta efeitos colaterais diferentes,
podendo inclusive prejudicar o pâncreas. De qualquer modo, esses
efeitos podem ser considerados um mal menor, diante das ameaças
da AIDS.
Drogas antivirais podem ser usadas em associação (coquetéis),
cada uma agindo em uma etapa do ciclo do HIV, aumentando a eficácia
do tratamento. Os inibidores de proteases, como o saquinavir, o ritonavir
e o indinavir, medicamentos disponíveis após 1995, impedem
a maturação viral e vêm sendo usados em associação
com outros antivirais.
Prevenção
• Usar preservativos em todas as relações sexuais.
Qualquer forma de sexo- vaginal, anal ou oral- pode transmitir a AIDS
• Evitar atividades sexuais com alto risco de contato com sangue
como, por exemplo, durante as menstruações
• Diminuir o número de parceiros, Lembre-se que o uso de
preservativos, embora eficaz, não é medida absolutamente
segura.
• Não compartilhar seringas e agulhas.
• Caso necessitar de transfusão de sangue ou de derivados,
exigir amostras que tenham sido testadas. Os bancos de sangue devem analisar
as amostras de sangue e fazer rigorosa triagem dos doadores. As amostras
suspeitas devem ser descartadas.
• Esterilização de utensílios de manicures,
pedicures, acupunturistas e tatuadores e ainda instrumentos cortantes
como lâminas de barbear, não devem ser compartilhados.
• Realizar exames nas mulheres grávidas para reduzir o risco
de transmissão vertical.
• Utilização sistemática das normas de biossegurança
para os profissionais de saúde.
Fonte:
material recebido na escola
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