Nós, os seres humanos, precisamos ingerir diversas subtâncias para realizarmos nossas atividades: proteínas, carboidratos, lipídios, sais minerais e vitaminas. Além das vitaminas e sais minerais, as substâncias que ingerimos são muito grandes para passar pela parede do intestino (o órgão onde são absorvidos os nutrientes), assim, o alvo da digestão é quebrar as substâncias grandes (macromoléculas) em substâncias pequenas (micromoléculas) para elas poderem passar pela parede do intestino.

Antes de saber como ocorre essa quebra, vamos conhecer o tubo digestivo (tubo por onde o alimento passa). A órdem dos órgãos (ou partes) do tubo digestivo é a seguinte: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (cólon ascendente, transversal e descendente), reto e ânus.

O alimento é "empurrado" pelo tubo digestivo por movimentos musculares chamados movimento peristálticos ou peristaltismo. Saiba mais sobre esses movimentos mais pra frente...

Também fazem parte do sistema digestório (como você pode ver na figura ao lado), algumas glândulas responsáveis por produzir sucos digestivos que vão acabar transformando as macromoçéculas em micromoléculas. Antes disso ocorrer, deve acontecer adigestão mecânica que vai triturar o alimento para maior contato do suco.

A Digestão Mecânica

Como o nome sugere, esta digestão não envolve sucos digestivos. O alvo da digestão mecânica é aumentar a superfície de contato entre o alimento e os sucos. I magine como se fosse assim:



Você pode notar que com o aumento da superfície de contato, a velocidade da quebra também aumenta. Também é importante obsrevar que a mastigação não transforma macromoléculas em micromoléculas, este feito é realizado apenas pelas enzimas!

OBS: Apesar de na animação parecer que as enzimas desaparecem após fazerem seu trabalho, elas continuam lá, na boca, prontas para quebrar mais alimentos!

A Digestão Química

Bem, se você ainda não sabe, deve estar muito curioso para saber o que são essas enzimas e esses sucos digestivos. Como eu já falei, só são capazes de passar pelo intestino as micromoléculas, só que essas micromoléculas são muito micros (por isso, na animação acima, você não consegue ver o alimento depois de digerido, hehehe), mas muito mesmo, e nenhuma mastigação ou qualquer digestão mecânica é capaz de transformar as macromoléculas que ingerimos em micromoléculas. Então sobra pras enzimas contidas nos sucos digestivos.

As enzimas são um tipo de proteína e elas são específicas, ou seja, cada enzima age sobre sobre uma determinada substância. Algumas enzimas são produzidas em forma inativa (como se estivessem embaladas). Ao entrar em contato com substâncias específicas (como outros sucos digestivos ou, no caso do estômago, o ácido clorídrico), a enzimas se torna ativa (sai da embalagem) e começa a trabalhar. Para entender melhor como as enzimas funcionam, não deixe de visitar a página ENZIMAS (clique aqui).

As enzimas possuem um desmpenho diferende dependendo da temperatura e do pH (ponto hidrogeniônico). O pH indica se uma substância é ácida, neutra ou básica. Abaixo um diagrama com os valores do pH:

Existem muitas enzimas diferentes, abaixo, uma relação com as principais enzimas, seu local de produção e sua função:

- PTIALINA: Secretada pelas glândulas salivares situadas na boca, age sobre o amido. Atua melhor em pH neutro ou ligeiramente alcalino (pH de 6,2 a 7,2).

- AMILASE SALIVAR: Também é secretada pelas glândulas salivares e também age sobre o amido. Atua melhor em pH neutro ou ligeiramente alcalino (pH de 6,2 a 7,2).

- PEPSINA: Produzida pela própria parede do intestino, ela age sobre as proteínas. Seu melhor desempenho ocorre em pH ácido. A pepsina é produzida em uma forma inativa, o pepsinogênio, que ao entrar em contato com o HCl (ácido clorídrico) se torna ativo e vira a pepsina.

- TRIPSINA: Protease (enzima que age sobre proteínas) produzida pelo pâncreas na forma inativa de tripsinogênio. Ao entrar em contato com uma enzima produzida pelas células da parede do intestino delgado chamada enteroquinase, o tripsinogênio se trona ativo e assim vira a tripsina. Como as outras enzimas do pâncreas e as do intestino delgado, trabalha melhor em pH alcalino.

- QUIMOTRIPSINA: Praticamente igual a tripsina... É liberada pelo pâncreas na forma inativa de quimotripsinogênio e trabalha melhor em pH alcalino.

- AMILASE PANCREÁTICA: Como o nome já diz, é produzida pelo pâncreas e atua sobre o amido (formado por várias moléculas de glicose) transformando-o em maltose (duas moléculas de glicose).

- SACARASE: Atua sobre a sacarose (como o nome sugere) e a transforma em glicose e frutose. É produzida pelo intestino delgado (pelas células da parede dele) e como as enzimas do pâncreas, atua melhor quando o pH é alcalino.

- LACTASE: Também é produzida pelo intestino delgado e age sobre alactose transformando a em galactose e glicose. Junto as outras enzimas produzidas pelo intestino delgado atua melhor em pH alcalino.

- MALTASE: Atua sobre a maltose (formadas na digestão do amido) e a transforma em duas moléculas de glicose. É produzida pelo intestino delgado.

Além das enzimas citadas acima, existem ainda outras, como diversas peptidades (atuarão sobre subprodutos da digestão de proteínas: os peptídios), as nucleases (agem sobre os ácidos nucléicos) e as nucleotidades (agem sobre os nucleotídeos).

Existe também uma outra substância, que NÃO é uma enzima, chamada BILE. Agora você se pergunta: "Se a bile não é uma enzima então pra que serve?" A resposta é simples, a bile age como um emulsificante que vai transformar as macromoléculas de gordura (lipídios) em moléculas menores (não a ponto de serem micromoléculas). Assim, a atuação da bile é física e muito parecida com a dos dentes.

 

Peristaltismo

O alimento precisa descer, isso todo mundo sabe, mas como?

Bem, existem músculos lisos ao longo de todo o tubo digestivo e eles vão se contrair de tal maneira a fazer o bolo alimentar descer. Essas contrações ritmicas se chamam movimentos peristálticos ou simplesmente peristaltismo.

O peristaltismo é também uma forma de digestâo mecânica, já que com os movimentos peristálticos o alimento é bem "remexido". Ele ocorre em práticamente todo o tubo digestivo, esôfago, estômago, intestino delgado e intertino grosso.


Dobras na parede do intestino

A parede do inestino não é perfeitamente lisa, muito pelo contrário, ela possui uma séria de vilosidades como que dobras na parede interna o que aumenta a área de absorção de alimento.

A foto ao lado mostra na verdade um bolo de Ascaris lumbricoides (lombriga), mas como também mostra essas vilosidades, resolvi colocá-la nessa página.

Você pode ver a foto completa mostrando todo o abdomen aberto na página sobre ascaridíase (clique para abrir). Você também pode clicar sobre a foto ao lado para ver o tamanho original aberto em uma nova janela.

 

Microvilosidades

As microvilosides são pequenas dobras que existem na camada que reveste o intestino.

Ao contrário das dobras da parede como acima, elas são microscópicas, como mostrado na imagem ao lado.

Note que a parede dessas dobras possui também invaginações (buracos) que ajudam ainda mais aumentar a eficiência do órgão na absorção de nutrientes.

Bem, eu não sei mais o que escrever pra completar o espaço ao lado dessa imagem então vou ficar enrrolando... Bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla...


O papel dos Hormônios

Acho que niguém pensa muito nos hormônios quando pensa em digestão mas eles tem um papel muito importante nela. Os homônios servem como mensageiros entre os órgãos envolvidos na digestão. Por exemplo: Se certos alimentos protéicos entrarem em contato com certas células sensitivas do estômago, é produzido um hormônio que vai estimular outras células do estômago a produzirem o suco gástrico. Abaixo estão os principais hormônios e suas respectivas funções:

- Gastrina: Quando alimentos protéicos entram em contato com a parede do estômago, a mesma produz este hormônio que vai estimular a secreção de suco gástrico (pelo próprio estômago) e a contração dos músculos lisos deste órgão.

- Enterogastrona: Na presença de gordura no intestino delgado, ela faz o contrário da gastrina: inibe a secreção de suco gástrico e contração muscular do estômago.

- Secretina: Quando o HCl (ácido clorídrico) proveniente do estômago entra em contato com as células da parede do intestino delgado, o mesmo produz este homônio que estimula o pâncreas a produzir seu suco rico em enzimas e bicarbonato de sódio (esta substância vai tornar o meio onde as enzimas agem, básico) e o fígado a secretar bile.

- Colecistoquinina ou colecistocinina: Apesar de ter um nome complicado, sua função é simples: Quando lipídios e aminoácidos entram em contato com a parede do intestino delgado, o mesmo produz este hormônio que estimula a secreção do suco pancreático (pelo pâncreas, é claro) e estimula também a produção de bile pelo fígado e a contração da vesícula bilear que então libera a bile no intestino delgado (na parte inicial do mesmo -> duodeno). Obs.: O nome estranho deste homônio se deve ao nome do canal, chamado colédoco, que liga o fígado/vesícula bilear ao duodeno (parte inicial do intestino delgado).

- Pancreozimina: Quando algum alimento entra em contato com a parede do intestino delgado, o mesmo produz este homônio que vai estimular o prâncreas a liberar suas enzimas.

Vendo tudo funcionar >>>

"A digestão começa na nossa cabeça..." CABEÇA??? É mesmo, quando cheiramos ou pensamos em alimento, nossa cabeça (cérebro) envia estímulos às glânculas salivares e elas começam a trabalhar (daí a expressão: "É de dar água na boca").

Já quase morrendo de fome você come uma mistura de carboidratos, proteínas, lipídios, sais minerais, vitaminas e fibras (humm, que gostoso!) e começa a mastigar... Como você já leu, está ocorrendo a digestão mecânica e o alimento está sentro triturado para maior contato entre o alimento e as enzimas. Falando em enzimas, a ptialina e a amilase salivar, produzidas pelas três glândulas salivares (parótida, submandibular e sublingual), vão agir sobre o amido (um carboidrato) e quebrá-lo (como você é uma pessoa muito legal para com suas enzimas, você vai mastigar umas 20 a 40 vezes para dar tempo para elas agirem).


Parede interna do estômago. Ela é enrugada para poder esticar.

Então você engole o bolo alimentar que sai da boca, passa pela faringe (local comum dos sistemas digestório e respiratório), desse pelo esôfago pelos movimentos peristáticos, passa pela válvula cárdia (ela impede a volta do alimento do estômago para o esôfago) e finalmente chega ao estômago. Entrando em contato com certas células da parede do estômago, as proteínas causam a liberação da gastrina que vai estimular a produção de suco gástrico. Este contém o HCl que vai transformar o pepsinogênio em pepsina e tornar o meio ideal para esta trabalhar (pH ácido). As enzimas da boca, por estarem em meio ácido, não vão mais funcionar mas em compensação, há a pepsina que vai digerir as proteínas.

Depois de muito "mexe mexe" por causa dos músculos do estômago o alimento, agora chamado quimo, passa pela válvula piloro (ou esfíncter pilórico) e chega ao duodeno (primeira parte do intestino delgado).

Aqui o meio muda novamente e fica alcalino (devido ao suco pancreático que contém o bicarbonato de sódio). O quimo recebe dois sucos digestivos (o entérico e o pancreático) e a bile. As enzimas contidas nestes sucos vão quebrar as macromoléculas restantes em micromoléculas. Essas micromoléculas vão passar pelas microvilosidades do intestino e chegar à circulação sanguínea. As vitaminas já são micromoléculas e podem passar normalmente pela parede intestinal. A absorção dos nutrientes ocorre mais no jejuno e íleo (respectivamente a segunta e a terceira parte do inestino delgado). Levado pelo peristaltismo, o quimo chega ou intestino grosso. Lá são absorvidos a maior parte da água e dos sais minerais.

Bem, chegamos ao fim de muito trabalho! O resto é com você, seus movimentos peristálticos e o vaso sanitário...

O Corpo Humano .com.br - Manuel S. - Melhor visualizado em resolução 800x600